Rafael Rodrigues Bohrer
7° semestre de jornalismo
“É impossível escapar á presença da mídia. Passamos a depender da mídia, tanto impressa como eletrônica, para fins de entretenimento e informação, de conforto e segurança, para ver algum sentido na continuidade da experiência. “São afirmações de Silverstone, mas podemos discordar delas? Pra dizer a verdade, eu, particularmente, bem que tento, tento muito. Eu sou um dos míseros porcentos que não possui um aparelho de tevê em casa, há mais de quatro anos. Contudo, não posso negar que o papel da mídia é filtrar e moldar as realidades cotidianas. É admirável como todos nós pautamos valores da nossa vida, as conversações e tantos outros temas, baseados no que a mídia vende como mundo perfeito.
Se considerarmos que o meio mais popular de comunicação no nosso país é a televisão, precisamos concordar que é a maior formadora de opinião do povo.Para fins de entretenimento e informação… Entretenimento, entendemos como pouquíssima programação infantil, o que dirá cultural e pedagógica. Programas de variedades, como Ana Maria Braga ou Tv Fama, onde as fofocas dos famosos são o tema principal também são o entretenimento da audiência. No livro Por que estudar a mídia? Silverstone destaca que a modernidade possibilitou que a vida privada se tornasse cada vez mais pública. O que importa são as aparências e não o que é a realidade, até porque as celebridades, segundo Silverstone, exibem um comportamento perfomativo.
Essa “pseudo-vidinha-perfeita” norteia o senso comum do grande público, promove o “reencantamento de suas vidas desencantadas”, ainda segundo o autor.
Mas o entretenimento nacional é, sem dúvida, as telenovelas. Elas registram os picos mais altos de audiência, onde podemos inferir que mais da metade da população está diante das suas televisões. É a grande formadora de opinião e de tantas baboseiras que vemos por aí, como, por exemplo, você ouvir as pessoas usando expressões como “Hare Baba” ao caminhar pelas ruas. A forma como apresentam a cultura indiana nessa tal novela é um tanto tosca, tudo é extremamente caricato e exagerado para tornar o tema em um objeto de desejo e de consumo. Segundo Silverstone, a mídia aproxima-se e engaja os espectadores através da retórica, da poética e do erotismo. A linguagem utilizada pelos produtos midiáticos, como a mídia passa (muitas vezes até subjetivamente) a informação e suas idéias para o público, deve ser bem observadas, analisadas e compreendidas. É preciso perceber que os discursos midiáticos promovem sensações, envolvem, apaixonam o receptor. O erotismo simplesmente produz prazer, convida-nos para o prazer imediato, mesmo se inconsciente.
Domingo, dia mundial do entretenimento, ao invés de aproveitar o que o mundo externo tem a oferecer, milhares de pessoas assistem ao Domingão do Faustão ou ao Domingo Legal. Acredito que nem é preciso comentar, mas vamos lá… Erotismo por toda a parte, desde as dançarinas do Faustão, passando pelas do Gugu, Pânico e quantos mais houverem… Falando em dançarinas, é inacreditável o programa Pampa Show, da Rede Record, evangélicos e tudo mais… As meninas são praticamente contratadas dentro das boates, tem uma ali que ainda faz seus programas (ah, não é programa de tevê não, vale lembrar)… As apresentadoras e suas notícias retiradas da internet, tipo “exposição de miniaturas em Viena” e coisas absurdas sem a mínima importância são simplesmente inacreditáveis.
Pois bem, dependemos da mídia para fins de entretenimento (!?) e informação. Informação na televisão é telejornalismo, telejornalismo e telejornalismo. Sim, possuímos dois programas estilo documentário, sendo que um é praticamente enlatado estilo National Geographic. Os telejornais ainda produzem uma sensação de informação, de que realmente detém a verdade. Apesar de parecer redundante, óbvio e até ingênuo, ainda sou da opinião que existe muita manipulação dos gatekeepers, muito interesse em promover informações que seriam “importantes” para a grande massa. Não consigo me ver nesse mundo… Concordo ainda com a afirmação que passamos a depender da mídia, inclusive para ver algum sentido na experiência, mas por via das dúvidas, continuo sem a tevê…