Critica pela Critica

Vitor Hugo Xavier
5° Semestre

Nas minhas buscas por sites diferenciados de critica da mídia descobri um que é parecido com este: também um projeto de alunos, mas, aquele na realidade é uma revista eletrônica quinzenal que oportuniza aos alunos da UNASP - Centro Universitário Adventista de São Paulo, criticarem o fazer jornalístico, a mídia como um todo e também o material final do jornalista, as matérias e entrevistas de jornais, rádios e revistas. Mas seriam essas criticas da mídia destinadas a quem recebe ou a quem a faz? Os alunos do curso de jornalismo são críticos natos, em sua grande maioria, após alguns semestres. Todos já discursam, mesmo que para si, sobre o correto e o não correto da mídia, o ético e o não ético. E a maioria deles acredita que a critica da mídia tem o poder de mudar a sociedade ou o jornalismo, mas esquecem de que esta pode ser uma arma, se bem usada, para mudar o modo de se enxergar a mídia.

O mais interessante, e acredito totalmente válido é a existência de um Ombudsman da própria revista eletrônica que tem como objetivo criticar a mídia, ele faz exatamente uma critica da critica da mídia. Como a participação do Ombudsman, por coincidência, na revista eletrônica é a primeira, o assunto foi exatamente o ato de criticar. Ponto para ele ao criticar os textos embolados, coloquiais e apressados de estudantes em blogs de universidades (por sinal, não me importo de ser encaixado neste grupo). Para se criticar deve-se ter um mínimo de conteúdo, não basta querer, tem que saber fazer e não é algo fácil. Por isso que acredito que a critica não é simplesmente uma opinião qualquer e sim uma opinião especializada sobre o assunto, afinal é aquela velha história, todos nos comunicamos não é? Não é preciso estudar comunicação, vamos jogar fora a obrigatoriedade do diploma! Da mesma forma todos temos opinião, vamos então todos criticar, criticar e criticar. Não que os estudantes não tenham o direito aberto de testar o seu poder de fogo. Mas talvez eles deveriam antes de usá-lo pensar melhor ou ter a oportunidade de testá-lo de alguma outra maneira. Neste ponto mais uma vez concordo com o ombudsman, meu “colega” de critico da critica, no site ele afirma que os estudantes devem ter cuidado com a “critica pela critica”, o cuidado que se deve te rno exercício do jornalismo opinativo.

Entrando no quesito “textos de alunos” fica a certeza de que o foco não está aberto, não veríamos ali, por exemplo, uma critica ao observatório da mídia dos alunos de comunicação da Unisinos. Uma pena! Exaltações, ao meu ver, utópicas também são feitas pelos estudantes paulistas, aqueles velhos clichês “o quarto poder”, “a critica da mídia é o quinto poder”, “a imprensa pode mudar a sociedade”, etc. Convenhamos, se criticas realmente funcionassem ao criticado o mundo realmente seria outro. A critica tem efeito a quem a faz e não a quem a recebe. No momento que criticamos pensamos no alvo que metralhamos, refletimos em como poderia ser melhor e em como fazer melhor. Infelizmente apesar de todos terem opinião, nem todos são realmente críticos e a mudança acaba por não ocorrer.

A critica na realidade, e no caso de espaços como esses para alunos, é nada mais do que uma vitrine para expor suas idéias, ou um mero ambiente de testes, cabe ao jornalista ou estudante, saber aproveitá-la da maneira adequada. Para isso é necessário um estudo mais aprofundado no ato de criticar aos estudantes e mais preparo pa5ra os que se aventuram a criticar. Descordo, portanto, do pensamento do acadêmico de comunicação: de que as nossas opiniões em formatos de criticas criam na sociedade um “senso questionador, um comportamento mais atento na absorção das informações”, como afirma uma das estudantes que publicaram na revista eletrônica paulista.

dia 20 de June de 2009
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