Matheus Filipe
A morte de Michael Jackson era tudo o que a mídia internacional, nacional e regional queriam. Um ídolo em todo o mundo. Polêmico. Irreverente. Imprevisível. Sensual. Um artista completo. Tantos aspectos para mostrado que faltaria espaço no maior jornal do mundo. Nos três primeiros dias a morte, os jornais estampavam a dor dos fãs. As mídias respiravam um ar mórbido. Mas somente a morte era pouco. Isso não bastava para a mídia. Queriam mais. Logo depois, sem provas, jornais imprimem que Michael estava sobre efeitos de medicamentos. Era que a mídia queria: Ídolo depressivo toma medicamentos até a morte. Na mesma proporção de fatos novos a tiragem aumentava a cada edição.
Situação completa? Não. Faltava o algoz. Um assassino. Morte por parada cardíaca não vende jornal. Michael era imortal, um coração não poderia matá-lo. O médico. Sim o médico foi negligente e não levou o ídolo imediatamente para o hospital. Aumenta a tiragem. Jornal saindo. Dinheiro entrando. O médico, de confiança, que cuidava há décadas do cantor é colocado na “cruz”. Sem provas. Sem indícios. Sem apuração. Sem responsabilidade. Qual o problema? Nenhum, a mídia tinha uma história para contar.
Quanto mais a história era contada, mais a audiência aumentava. Na rua, no trabalho, no jogo de futebol, na fila do banco e do ônibus era só o que falavam. ROGER SILVERSTONE diz que a observação de que o consumo é, essencialmente, repetitivo. “Necessidades corporais requerem atenção contínua. O corpo como uma coisa social e historicamente específica, foco de preocupação, disciplina, exibição. Tal consumo se torna - exige-se que seja - um hábito. E o hábito, por seu turno, exige regulação. As sociedades criaram mecanismos, locais e ritmos próprios para a regulação do consumo. Os dias são marcados pelos lugares e momentos apropriados para comer. As estações são marcadas por nossa disposição para consumir e celebrar o que quer que amadureça”.
Michael era tudo em uma pessoa. “Retórica”; “Poética”; “Erotismo”; “Brincadeira”; “Performance”; “Consumo”; Tinha todos os elementos que a mídia busca para veicular uma matéria. Tudo nele gera audiência. Michael Jackson não era um ídolo. Era a notícia.