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Pré-sal: entre o meio-ambiente e o desenvolvimento

Em tempos de discussões sobre alternativas para conter o aquecimento global, o Brasil vê-se transpassado por um dos paradoxos do século 21: de um lado, desenvolvimento, e de outro, cuidados com o meio-ambiente

Éder Romeu Kurz
Marcelo Ferreira

Estudantes de Jornalismo

A descoberta do pré-sal vem dividindo opiniões quanto à relevância de sua exploração da forma tão intensa como vem propondo o governo brasileiro. É importante lambrar que o país faz parte de uma pequena vanguarda que têm sua matriz energética relativamente limpa e produz tecnologia de ponta na geração de combustíveis de energia renováveis. Ao mesmo tempo, todos sabem dos graves problemas sociais do Brasil, e a reserva de petróleo de proporções gigantescas encontrada, que segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma “dádiva de Deus” poderia bancar um forte desenvolvimento a partir de sua exploração e comercialização.

Antes do pré-sal, o grande tema era o etanol. Há poucos anos, o Brasil vinha fazendo lobby no mercado energético internacional com voracidade. Todos já sabíamos, através do agendamento freqüente pelos meios de comunicação, que extrair álcool da cana de açúcar era mais produtivo que extrair do milho, além de não interferir no preço dos alimentos, que passavam por uma inflação mundial. Energia limpa e renovável, era o futuro. Agora pouco se fala nisso, o assunto está quase esquecido pela opinião pública. O atual tema em questão é a mina de petróleo e os benefícios que ela vai trazer ao país, e o presidente Lula é o maior entusiasta.

Mas é com menor intensidade que se percebe uma discussão sobre o viés ambiental da questão. O Greenpeace deu o recado, durante a cerimônia de anúncio do novo marco regulatório do pré-sal, em agosto de 2009. Ativistas mostraram uma faixa para a plateia com os dizeres: “Pré-sal e poluição: não dá para falar de um sem falar de outro”. E além da poluição em sí, a investida pode ser perigosa devido à consciência ambiental que vem, aos poucos, dominando os encontros de planejamento da economia mundial.

Para o professor do curso de direito da Unisinos, André Rafael Weyermuller, é preciso cautela. “O que se vê de concreto é que há sim uma grande riqueza na camada pré-sal que poderia ajudar muito no desenvolvimento do Brasil. Agora, devemos refletir sobre as tendências mundiais em termos de tratados internacionais, da ONU.” E o professor complementa: “se nós temos que procurar alternativas energéticas, se essa é a tendência, e dentro de um desenvolvimento sustentável temos a possibilidade de melhorar, em tese, as condições de vida do país, me parece que isso precisa ser visto com cautela. Nós estaríamos na contramão, digamos assim, do desenvolvimento sustentável. É preciso que a gente explore? Me parece que sim. Agora, há necessidade de se criar limites.”

Em artigo escrito para no jornal O Estado De S.Paulo, José Goldemberg, professor de física na Universidade de São Paulo, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-ministro do meio-ambiente, também fala em cautela e propõe uma saída para que o governo – e o povo brasileiro, por conseqüência – não seja o único a arcar com um possível fracasso na exploração do pré-sal. “O que parece razoável é investir cautelosamente na exploração e dividir o risco e os custos com outras empresas de petróleo, sobretudo nas pesquisas científica e tecnológica indispensáveis para aumentar as chances de sucesso dos empreendimentos. Se fracassos ocorrerem, os custos serão divididos. Se houver sucesso, serão divididos os lucros, mas não há como ganhar sempre.”

O ex-ministro é categórico em sua conclusão. “Vender ilusões e miragens pode ser uma boa tática eleitoral, mas neste caso elas poderão custar muito. Enquanto isso, investir mais nas tecnologias do futuro (energia solar, dos ventos, biomassa e carros elétricos) parece um caminho mais seguro.”

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