Confira as últimas publicações:
Carros elétricos no Brasil. Ilusão ou realidade?

Os carros elétricos são pequenos, caros, suas baterias demoram pra carregar, etc. Mas, montadoras e companhias de energia procuram soluções para a melhoria destes carros. Com a evolução, em breve o brasileiro poderá estar guiando estes veículos pelas ruas. Será ilusão ou realidade?

Filipe Anderson

José F. Dilly

Letícia B. Cardoso

- Estudantes de Jornalismo -

    O Seminário e Exposição de Veículos Elétricos (VE2009) foi realizado em Campinas, nos dias 9 a 11 de novembro de 2009, na sede da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). O evento, organizado pela Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), contou com a presença de pesquisadores de todos os cantos do mundo. Foram debatidos a evolução dos carros elétricos, a responsabilidade com o meio ambiente e de como contornar as barreiras dos governos e indústrias petrolíferas para lançar este tipo de veículo em larga escala.

    No VE2009 foram expostos o Palio e o Palio Weekend elétricos. Os primeiros protótipos de carros elétricos desenvolvidos em uma parceria entre a Fiat do Brasil, a CPFL Energia e a Itaipu Binacional, O carro é movido por uma bateria ecológica, que não tem resíduos tóxicos e não emitem gás carbônico ou gases tóxicos, e com autonomia para andar 120 quilômetros após ser carregado por quatro horas.

    O objetivo é desenvolver o veículo para que em dois anos ele entre no mercado com sua bateria sendo carregada em 20 minutos e uma autonomia de 350 quilômetros. “Até 2011, a meta é tornar esse protótipo viável. Nacionalizar peças, baixar o custo, aumentar a autonomia e diminuir o tempo de recarga”, diz Carlos Eugênio Dutra, diretor de produtos da Fiat. Baterias sempre foram o problema dos carros elétricos. “Grandes, pesadas, têm pouca autonomia e, quando gastas, viram lixo tóxico. As do Palio são diferentes. Parte é reciclável, parte é biodegradável”, afirma Dutra.

    Palio abastecido em Itaipu com energia de células solares (Divulgação)

    Palio sendo abastecido em Itaipu (Divulgação)

    Como o motor é elétrico, a vantagem é que não há gastos com troca de óleo, filtro, velas, transmissão etc. Os gastos de manutenção se restringem a troca de pneus e suspensão. O motor não tem limite de uso e sua manutenção é rara e muito barata. A bateria tem vida útil de dez anos e pode ser carregada sendo ligada na tomada residencial comum, seja em voltagem 110 ou 220.

    O Palio Weekend do seu preço convencional R$45 mil, transformado em elétrico, passa a custar R$145 mil. Um dos fatores para um preço tão astronômico é a taxa de IPI para os modelos elétricos, que no Brasil são classificados como “especiais”. Esses “especiais” pagam uma alíquota absurda de 35%.

    Além do preço, o que impossibilita a venda do carro para pessoas físicas é a inviabilidade de produção em escala, até porque o sistema é importado e terceirizado. Precisa-se ainda necessidade de aperfeiçoar a bateria, e uma rede de abastecimento.

    O professor e engenheiro elétrico Marco Cecconello diz que a população está consciente dos danos que os carros convencionais trazem ao meio ambiente e que esperam que os governos e montadoras abram caminho para os carros elétricos. Mas, está preocupado com o que pode acontecer no país. “Aqui no Brasil vai ser difícil o governo subsidiar qualquer coisa no sentido de viabilizar a entrada desse tipo de veículo no mercado. Ainda mais com o petróleo da camada pré-sal e com a nossa produção de álcool. Está difícil arrumar ajuda governamental para o aperfeiçoamento de um projeto como este. Até o imposto cobrado, o IPI é acima dos outros porque é classificado como ‘veículo especial’” observa Cecconello.

    Reva-i (divulgação)

    Reva-i (divulgação)

    Atualmente, no Brasil, o único veículo elétrico para transporte de passageiros à venda é o Reva-i, que é fabricado na Índia e importado pela ElecTrip. O carrinho mede apenas 2,70 metros de comprimento.  O Reva-i atinge a velocidade máxima de 80 km/h e tem uma autonomia de 80 quilômetros. A recarga completa das baterias é realizada em oito horas. O problema desse tipo de carro é o preço, o Reva-i pode ser encomendado por aproximadamente R$ 70 mil.


    O crescimento dos elétricos da Tesla

    Embora a quantidade de veículos elétricos em uso ainda seja pequena, mesmo nas economias mais desenvolvidas, as compras desses veículos crescem de forma explosiva. Algumas montadoras já se preparam para oferecer os automóveis elétricos ao mercado, novas empresas se apresentam fabricando e/ou importando carros e se observa o interesse das empresas de energia por esses novos consumidores.

    Tesla Modelo S (Divulgação)

    Elon Musk guiando o Tesla Modelo S (Divulgação)

    O empresário americano Elon Musk lançou em março de 2008, o Tesla Roadster, um esportivo elétrico com desempenho de Ferrari. Pouco mais de um ano depois, já vendeu 700 unidades do carro e anunciou o lucro de US$ 1 milhão da sua empresa. O Tesla fez tanto sucesso que acabou gerando a criação de outro modelo o Tesla S. Várias montadoras, como a General Motors e a chinesa BYD, após verificarem o crescimento das vendas do Tesla, anunciaram a produção em escala comercial de carros elétricos. Os primeiros modelos chegarão ao Brasil no início de 2010.



    1. HILTON ARAUJO on quinta-feira 19, 2009

      A justificativa do pre-sal como justificativa para o alta tributação dos carros eletricos é um absurdo.
      O pais deveria aproveitar todos os recursos vindos da industria do petroleo (esgotavel) e investir pesadamente em energia limpa (renovavel no momento cara por razão oferta/procura) se a petrobras fosse realmente uma empresa que visasse os interesses nacionais ja deveria estar investindo muito mais nestas matrizes não deixaria de ter o que vender ja que no futuro(não muito distante) energia será altamente lucrativa.
      Que ecoe nossos clamores
      FIM DO IPI SOBRE CARROS ELETRICOS JA

    2. Carlos Eduardo Momblanch da Motta on quinta-feira 19, 2009

      O Brasil poderia aproveitar a oportunidade posta no mercado global de automóveis para construir sua própria indústria automotiva. Não só a crescente necessidade de utilização de energias renováveis, mas a quebradeira das gigantes do setor favoreceria essa estratégia. Infelizmente o lobby das grandes montadoras multinacionais transcende nosso parlamento, coopta a mídia especializada e convence até os usuários que travam debates apaixonados por algumas marcas como se fossem times de futebol. Nossa comunidade científica produz conhecimento, mas não se articula suficientemente com a indústria. Desenvolvendo há quatro anos um projeto com recursos (escassos) próprios, sentimos como é difícil obter apoio político e financeiro para romper essas barreiras. Nossa persistência se deve exclusivamente a uma leitura do mercado que nos permite depreender que a vontade do consumidor e a crescente auto estima da população brasileira deverão nos ajudar a oferecer ao mercado um veículo elétrico nacional comercialmente viável. Se aqui lutamos para sair das sombras e nos debatemos com a falta de incentivo a projetos ousados como o nosso, o reconhecimento externo, e aqui no Brasil de alguns jornalistas especializados, empresas (nacionais e estrangeiras) de visão e alguns políticos antenados nos permitem acreditar que poderemos oferecer algo melhor do que a Fiat, cujo carro não é novo, mas uma adaptação, nem a tecnologia é a melhor, muito menos brasileira (Mes-Dea, suiça). Os resultados são pífios com sua autonomia não chegando a 100km e tempo de recarga de 8h, e as promessas de melhor performance repetem-se a cada ano, empurrando para mais três anos adiante, apesar de um volume de investimentos que já nos teria permitido concluir nosso projeto e estarmos fabricando o Pompéo Elétrico.