Agência Experimental de Comunicação
Ciências da Comunicação - Unisinos

25/08/2008

Sempre é tempo de recomeçar

Larissa de Oliveira
Estagiária de Jornalismo

Era um hábito comum. Como a maioria dos aposentados, Luiz Carlos Pooter lia o jornal pela manhã. Em uma manhã de 2006, quando Pooter sentou-se em sua poltrona e folheou as notícias do dia, ele não imaginava que a partir daquele momento sua vida finalmente tomaria o rumo que sempre sonhou.

O que ele viu foi o anúncio de um novo curso que a Unisinos inauguraria no primeiro semestre de 2007: Formação de Produtores e Músicos de Rock. Era o que esse jovem de 52 anos estava esperando para retomar sua velha paixão, o rock’n’roll.

Pooter nasceu em Gramado em 23 de novembro de 1954. Mas pouco ficou na cidade para tomá-la como seu lar. Ainda pequeno, mudou-se para São Sebastião do Caí. A mãe, Giolástica Paulina, e o pai, Pedro Pooter, sempre trabalharam duro para sustentar os nove filhos.

Por este motivo, Pooter começou a trabalhar ainda muito cedo, aos 14 anos.  Largou o Ginásio (que hoje equivale ao Ensino Médio) para ser office-boy nas conservas Oderich. A responsabilidade precoce, no entanto, não afetou sua criatividade nem seu gosto pela música, que já se mostravam presente desde aqueles tempos. Naquela época, Pooter deu início a uma coleção de vinil que hoje chega a cerca de 400 LPs.

Foi junto a um amigo que ele inventou, naquela idade, o seu próprio instrumento musical. Com a guitarra caseira, o autodidata aprendeu a tocar os primeiros acordes. Tirava de ouvido suas canções preferidas, hábito que o fez tornar-se muito bom de memória.

Era a década de 60 e Sargent Peppers, dos Beatles, bombava nas rádios. Através das ondas médias da Rádio Continental, de Porto Alegre, o menino do Vale do Caí conhecia o rock’n’roll vindo dos Estados Unidos e da Inglaterra. Logo, a paixão pela música fez com que os dois amigos montassem a banda Os Magnatas, e passassem a se apresentar nos bailes da cidade.

Depois de seis anos juntos, chegou um momento em que o seu gosto musical começou a destoar do de seus companheiros, que puxavam para o brega e a jovem guarda. Afinal, não se pode esquecer que este também era o tempo de Wanderléa e Ronie Von.

Pooter, então, passou a se apresentar frequentemente em festivais da cidade e também bailes, sem nunca deixar de trabalhar para ajudar a família. A vida regrada fez com que o rapaz que sonhava em ser um músico famoso percebesse que não seria fácil viver deste sonho.

O office-boy retomou estudos e passou em um concurso da Caixa Econômica Federal. Trabalhou em várias cidades do Interior e rapidamente assumiu a função de gerente. Apesar do bom emprego, seu coração batia mesmo era pela música. Em 1982, voltou a se apresentar em bailes, desta vez com a banda Flor da Serra. Depois de um ano de uma extensa agenda de apresentações, Pooter volta a abandonar a música para se dedicar ao trabalho.

“Nunca tive coragem de largar um emprego como
a Caixa Federal pra me dedicar à música”

Em dezembro de 1990, Pooter casou-se com Nádia, irmã de três músicos já conhecidos por ele dos bailes do Interior.  Durante o casamento, passou por algumas bandas, como o Naftalina (de 1992 1994) e o Bakarath (2001 a 2003), com quem chegou a gravar um CD, mesmo que sua prioridade sempre tenha sido o trabalho como bancário, cuja renda era fundamental para suprir a família.

 

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