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16/11/2007
Musical multifacetado
Juliana de Brito
Estagiária de Jornalismo
Baião, polca, funk carioca, samba,
rock and roll e eletrônico, essa mistura de gêneros
surgiu da vontade de fazer música sem compromisso e
preconceitos. A Musical Amizade, que pelo nome,
lembra as bandas de bailão, tem a pretensão de flertar
com todos esses ritmos polêmicos, odiados por uns e
adorados por outros.
A estudante do 6º semestre de Jornalismo
da Unisinos, Patrícia Spier diz que sua participação
começou há oito meses, quando seus amigos
Marcelo e Lucas lhe convidaram para integrar a Musical
Amizade. "O nome é referente aos conjuntos musicais
de salão, que tocam de tudo, assim como nós", diz Patrícia.
Ela considera o nome uma sátira ao convencionalismo
com os gêneros musicais.
Segundo Patrícia, a banda é virtual
pela facilidade de misturar ritmos e por não haver pressão
no convívio com os integrantes. "Nossa experiência com
banda mostrou que a Internet é o melhor caminho. Banda
virtual não tem estresse, nós rimos muito do que fazemos.
Não nos preocupamos com vender nossa música, só em fazer
o que gostamos", revela.
É comum ensaiar em estúdio e depois
gravar, por isso, o processo de produção
e gravação de bandas virtuais é
inverso, acontece conforme a vontade e criatividade
dos integrantes. "As idéias
surgem individualmente, gravamos e depois juntamos.
Uma vez por semana nos encontramos para acrescentar
algo na música", complementa.
| Reprodução |
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| Marcelo,
Patrícia e Lucas em um ensaio fotográfico com a
cara da Musical Amizade |
Além de Patrícia, fazem parceria
na Musical Amizade, Lucas Diniz de Publicidade
e Propaganda, na Unisinos; Gabriel Saikoski, Música,
na UFRGS; e Marcelo B. Conter também estudante de Publicidade
e Propaganda, na Unisinos. A banda virtual foi idealizada
por Lucas e Marcelo, que tem um home studio onde
fazem o encontro semanal para juntar o material produzido.
Patrícia conta que de orgânico
na Musical Amizade só a voz, o violão e a guitarra.
Os outros instrumentos são integrados através de software.
Por isso, todos eles se tornam MC's e percussionistas.
Múltiplas funções que tornam a banda híbrida.
"O intuito é experimentar. A nossa
primeira música, a Buco do Melô, teve 12 versões,
até decidirmos que ela estava audível para colocar na
Internet. Com essa vontade de acrescentar e misturar
temos 5 músicas prontas e 4 rascunhos", expõe Patrícia.
Ela conta que eles não conseguem finalizar muitas músicas,
pois demoram a chegar a um consenso de que a versão
está pronta.
Apesar da falta de quantidade o
resultado tem sido surpreendente. "Em duas semanas de
Trama
Virtual temos 40 downloads", diz alegremente
sobre a divulgação das produções em um site hospedeiro
de músicas de bandas independentes.
Sobre o público-alvo da banda,
Patrícia afirma que não sabe qual é o perfil das pessoas
que escutam a Musical Amizade. "Não temos noção
de quem escuta nossa música, até porque na Internet
se escuta de tudo. Quem tem contato com a música solta
na Internet, baixa e mostra tudo para os amigos, inclusive
o que acham ruim", brinca Patrícia.
Mercado
Locutora da Rádio Unisinos, produtora
e apresentadora da TV Unisinos, Patrícia avalia que
para entrar no mercado do rock é necessário utilizar
a Internet. "Apesar do espaço que o rock tem,
o mercado de criação e produção
está esgotado. É impossível encontrar uma gravadora
e criar livremente", afirma com a experiência de quem
trabalha com música há 10 anos.
A Musical Amizade não tem
agendado nenhum show, mas planeja apresentar suas músicas
para o público algum dia, e testar a receptividade das
pessoas com o som experimental. "Nós estamos divididos
sobre ir ao palco ou não, eu acredito que a nossa música
é para ser ouvida em casa, não penso na possibilidade,
mas também não a ignoro", diz incisiva.
"A Fresno, que está estourada nas
rádios, surgiu da Internet, eles divulgaram seu material
e conseguiram espaço. Outras bandas que estão em grandes
gravadoras não conseguiram reconhecimento, ou porque
são regionais ou porque não são inovadoras", acredita
Patrícia.
Na tentativa de fazer rock, muitas
bandas acabam se repetindo, pois entregam-se as exigências
da gravadora. Patrícia conta que quando escuta muito
essas bandas padronizadas necessita escutar algo neutro,
como jazz, para "limpar os ouvidos".
Para fugir dos estereótipos, Patrícia,
Lucas, Marcelo e Gabriel fazem o flerte harmonioso de
ritmos populares ser a essência da Musical Amizade.
"A nossa banda tem esse propósito, fazer algo diferente.
Não duvido que tenha outra banda em outro lugar do mundo
com esse mesmo objetivo, mas nós estamos tentando nos
divertir fazendo uma música pós-moderna", finaliza.
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