Agência Experimental de Comunicação
Ciências da Comunicação - Unisinos
14/05/2007

Uma forma diferente de ver o mundo

Marília Macedo
Estagiária de Jornalismo

A cada ano, mais de 70 mil brasileiros deixam o Brasil em programas de intercâmbio, conforme dados publicados pela revista IstoÉ Online. Preocupados com a formação profissional, o que também é muito importante, muitos deles acabam esquecendo do crescimento pessoal.

De um modo geral, as agências de intercâmbio oferecem programas de estudos e trabalho no exterior. A possibilidade de uma vivência independente atrai os jovens, que privilegiam a moradia em shared acommodation, ou seja, dividir um apartamento com outros intercambistas.

Mas nem sempre independência significa necessariamente não estar com uma família. A convivência com pessoas de outro país pode representar uma maneira de inserirem-se profundamente nos hábitos e costumes do país hospedeiro. Essa é a oportunidade oferecida pela AFS Intercultura Brasil.

Marília Macedo
 

Organização

Com 50 anos de experiência no Brasil, a ONG teve origem no antigo American Field Service. O grupo de voluntários se formou durante as duas grandes guerras mundiais para socorrer os feridos. Depois da Segunda Guerra, eles tiveram a idéia de levar pessoas a outros países para entrar em contato com diferentes culturas. O objetivo é promover a paz e evitar as guerras.

"A iniciativa busca mostrar a tolerância ao diferente. Indicar que apesar das diferenças, é possível conviver", explica Mariana Grangeiro, voluntária da AFS. Ela acredita que os programas da ONG tem como base a comunicação: "A forma como a pessoa vê o mundo, é a forma como ela se comunica", afirma.

Programas

Mesmo oferecendo programas de trabalho voluntário, para professores, estágio não-remunerado e recebimento, para pessoas com idade entre 18 e 55 anos, Mariana esclarece que o carro-chefe da ONG é o Programa Escolar. Destinado aos jovens, de 15 a 18 anos, esse programa oferece educação formal, em escola de ensino médio, e convívio familiar.

Segundo Mariana, o diferencial da AFS está nos treinamentos oferecidos aos voluntários, como oficinas de gerenciamento de projetos, gestão de pessoas, entre outras. Ela explica que todos são capacitados para atender os intercambistas levando em conta as necessidades de crescimento pessoal.

Sem falar na preparação que ocorre no país de origem antes da viagem: "Para que o jovem perca a timidez e consiga se relacionar com as outras pessoas, e não simplesmente viajar sem sair de seu mundo", diz Mariana.

Integração

O sucesso da experiência através deste programa de intercâmbio é a integração com a família hospedeira. O resultado é um laço tão forte, que a amizade continua mesmo após o término do programa, como explica a voluntária, que já hospedou três intercambistas em sua casa: "É um pedacinho da gente que vai embora", conta.

Outra oportunidade disponibilizada pela AFS é o Programa de Recebimento, para quem já passou da idade, mas gostaria de vivenciar essa experiência. O programa oportuniza a famílias a hospedagem de estrangeiros em sua casa durante seis ou onze meses.

Marilía Macedo
Paarnaq Emily, da Groenlândia, está no Brasil há nove meses

Experiência

A jovem de 18 anos Paarnaq Emily Jakobsen da Groelândia (região autônoma dinamarquesa) está no Brasil no Programa Escolar da AFS. Ela está cursando o 3º ano do Ensino Médio na Escola de Educação Básica Feevale, em Novo Hamburgo.

Há nove meses no país, com o português quase fluente, ela faz um balanço da sua experiência que termina em julho: "Minha cabeça mudou bastante. Consegui conhecer os outros e a mim mesma", diz.


Informações

Para obter mais informações sobre os programas da AFS, é possível entrar em contato com o Comitê Vale dos Sinos através do e-mail comitevaledosinos@afs.org.br ou pelos telefones 9191-4375 ou 9699-7703. Informações também são encontradas no site.

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