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18/09/2007, 19h30min
Mainardi fala com exclusividade
ao Portal3
Fábio Prina
Estagiário de Jornalismo
| Cristiane Finger |
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| Diogo Mainardi durante entrevista |
Na abertura do 20º Set da PUC,
na tarde de segunda-feira, 17, a platéia se dividiu,
inicialmente, entre vaias e aplausos ao mais polêmico
colunista de revista do país, Diogo Mainardi, 44, desde
1998 na Veja. Ao ocupar seu lugar no palco do auditório
central da Universidade, ao lado de outro polemista,
Juremir Machado da Silva, coordenador do PPGCom da PUC,
Mainardi, de cara, olhou firme para os estudantes e
proferiu: "Todo o político é vagabundo". Sua frase arrancou
risos e, em seguida, aplausos.
O paulistano, que vive hoje no
bairro Ipanema, no Rio de Janeiro, conduziu seu papo
nesse clima: não poupou ninguém. Em sua palestra Mídia
e Poder - relações incestuosas no auditório central
da PUCRS, foi como é toda a semana em sua coluna na
revista Veja: ácido e informativo, em especial, quando
o assunto gira no âmbito da política nacional. Agradou
e desagradou estudantes que são partidários de ideais
de esquerda ou de direita. Tratou as perguntas da platéia
com a franqueza costumeira.
Antes de subir ao palco, Mainardi
recebeu a equipe do Portal3. Falou de sua vida
profissional e de sua relação com os assuntos que traz
à tona: "Eu não tenho nenhum personagem. Sou eu mesmo,
transparente".
"Eu não sou o Chico Xavier."
Portal3 - Quem olha para
este rosto sereno dificilmente consegue associar a sua
feição ao "olhar arquilino" e ao "semblante inquisitor"
que ilustra a coluna da revista Veja. Afinal, quem é
o Diogo Mainardi?
Mainardi - (Risos) Eu sou
a cara serena no cara sereno. Sou a pessoa mais tranqüila
do mundo, não levo nada para o lado pessoal, então,
levo uma vida muito tranqüila, não tenho grandes problemas.
Portal3 - Então por trás
desse rosto sereno existe algum personagem que é incorporado
para escrever a coluna na Veja?
Mainardi - Não. Eu não sou
o Chico Xavier. Não tem personagem, apenas eu, de maneira
bastante transparente. Eu sempre procuro não esconder
nada, não represento o interesse de ninguém, não tenho
grupo partidário, nem ideologia, nem pressão econômica.
"Tenho liberdade de olhar para
o país e falar a respeito dele"
Portal3 - Então, quem é
você?
Mainardi - Sou uma pessoa,
um cronista. Tenho liberdade de olhar para o país e
falar a respeito dele. Estou na Veja por causa disso,
pelo meu olhar, eles me fizeram um convite há nove anos
e ainda não cansaram de mim. Eu acho (risos).
Portal3 - Existem pessoas
que tentam te calar através de ameaças e processos?
Mainardi - Eu recebi 300
processos dos petistas. Mas eles não me calaram, tanto
que continuo escrevendo.
Portal3 - E o que você sente?
Mainairdi - Sinto mais raiva
ainda, e mais vontade de escrever. Então se é essa a
intenção deles (processos), é totalmente contra eficiente.
Eles tentam me fazer pressão econômica para me prejudicar,
mas essa pressão não chaga a mim, porque eu tenho superiores
que me defendem e me protegem.
"Eu trabalho com total autonomia
e liberdade"
Portal3 - E sua autonomia
como profissional?
Mainardi - Eu trabalho com
total autonomia e liberdade e não penso nessas questões,
a não ser os processos que eu tenho que me defender,
e ocupam muito do meu tempo, me amolam muito, mas é
uma conseqüência do trabalho que eu faço.
Portal3 - Alguma vez esses processos
fizeram você mudar de opinião?
Mainardi - Jamais. Nem mesmo
colocar condicionais (palavras no texto) onde eu não
colocaria, suposto onde eu não colocaria essa palavra.
Eu comecei a usar o jargão "aborrecimentos judiciais"
como único prejuízo desses processos.
Portal3 - E sobre o jornalismo
gaúcho, você conhece?
Mainardi - Conheço.
"Juremir é o melhor cronista
brasileiro."
Portal3 - Destacaria algum
nome?
Mainardi - Está aqui, ao
meu lado: Juremir Machado da Silva, o melhor cronista
brasileiro. Eu tenho profunda admiração por ele. Estou
aqui (No Set da PUC) por causa dele.
Portal3 - Você costuma receber
muitos convites, não?
Mainardi - Eu não faço esse
tipo de evento. Eu acho que palestras criam conflitos
de interesse. Eu tento não me atrelar a esses conflitos
e não aceito fazer. Abro mão de uma enorme quantidade
de dinheiro, fico até arrependido de vez em quando por
causa disso.
"Não quero ganhar dinheiro,
nem de isenção fiscal."
Portal3 - E é apenas por
causa desse conflito de interesses que você não costuma
participar de eventos como o SET?
Mainardi - É pelo conflito
de interesses. Eu sei que um dia vou ser convidado para
ir a Campo Grande e vou cumprimentar o Vedoin (o empresário
Luiz Antônio Vedoin). E, então, explode o Escândalo
dos Sanguessugas e eu fico associado aos Sanguessugas.
E é só por causa disso, não quero ganhar dinheiro, nem
de isenção fiscal, de empresas ou de grupos que tenham
interesses que eu possa atingir mais adiante. Eu sou
pago pela editora Abril (Veja) e pela Rede Globo (Manhattan
Conection), e se eu devo algum compromisso é para
eles. E isso basta!
Comentários
Francielle Santos:
Adoro o Mainardi por ele não ter papas na língua e saber
enfrentar com uma criticidade única a política brasileira.
Parabéns, Fábio, pela excelente entrevista. Muito legal
mesmo!
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